Publicado por: antoniofelipesilva | 15 outubro, 2008

De Kung Fú Panda à política econômica norte americana: Zizek no Brasil.

Christian Dunker, Islavoj Zizek e Vladimir Safatle.

Com sua irreverência e humor, Islavoj Žižek lança seu livro mais sistemático no Brasil, A visão em paralaxe, publicado pela Editora Boitempo e lançado ontem no Sesc Vila Mariana. Os professores Vladimir Safatle e Christian Dunker, principais lacanianos acadêmicos brasileiros, dividiram a mesa com o filósofo esloveno.

Islavoj Zizek durante exposição do tema Ideologia.

A exposição de Žižek tem início com um dos seus pontos temáticos favoritos: o cinema. Batman – The Dark Knight foi seu disparador para falar sobre como a mentira pode ser usada para manter a ordem pública.  O desenho animado Kung Fú Panda, por sua vez, foi utilizado para dar relevo ao tema da ideologia, tema central da sua conferência, tentando mostrar a ocidentalização falsa da cultura Zen. Žižek disse não ser muito fã de cinema, sendo solidário com aqueles que não vêem os filmes de hollywood, no entanto, disse que é em tais filmes que se encontra o Universal da ideologia ocidental, não podendo se furtar de conhecer o que se passa na industria cinematográfica para poder fazer suas análises da cultura. A despeito de todos os recursos que Žižek lança mão para desconcertar as aparências e denunciar onde a ideologia se encontra mascarada, seu projeto filosófico é muito claro. Lacaniano convicto, o filósofo esloveno coloca a cultura num grande divã. Não é à toa que os filmes de hollywood, as piadas mais clichês, e os provérbios mais inusitados constituem-se como o campo onde ele se debruça na investigação dos sintomas mas obscenos do homem “pós-moderno”.

Autógrafo de Zizek ao meu livro 'Bem vindo ao deserto do real!'

É possível viver sem ideologia? Essa é uma pergunta incessante, porém, desonesta. Até que ponto as coisas são aquilo que elas aparentam ser? Žižek diz que há três modos de ser da coisa: Elas são. Elas são o que me aparecem. Elas são a aparência daquilo que elas me aparecem. O que há de incrível na ideologia é que ela funciona mesmo que ninguém acredite nela. Segundo Žižek, a própria ideologia precisa da crítica para seu pleno funcionamento , daquilo que a desmascara e a denuncia como ideologia. 

 

Confira alguns trechos:

ps. Cuidado para que os tiques nervosos do Zizek não tirem sua atenção… Aliás, este ponto foi um dos momentos mais engraçados da conferência, quando o próprio Zizek comentou que é comum que lhe perguntem porque ele não se dedicou à clínica e sua resposta foi: Quem seria o louco que gostaria de me ter como analista? Com todos os meus tiques e manias? 

Parte I

Parte II

Parte III

Parte IV

Parte V

Parte VI

Parte VII

 


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